Tirando o trem de alta velocidade os demais não tem menor chances de sair do papel...
Ferrovia 3 em 1 para ligar Brasília ao Entorno Sul

Proposta de conexão ferroviária entre o Entorno do DF e o Plano Piloto reúne três modais em um só sistema. Percorrendo os municípios goianos do Entorno um Veículo Leve sobre Trilhos – VLT integraria as comunidades dessas localidades e também alimentaria o Expresso Planalto Central (EPC): uma linha férrea eletrificada, baseada no canadense Réseau Express Métropolitain, com capacidade de fazer Luziânia-Setor Noroeste em 38 minutos. Já em território candango, outro trecho da ferrovia da extinta RFFSA seria convertido na Linha Monumental-Park Way, (LMP): 16 estações, ao longo de 26 km, iniciando na quadra 29 do Park Way, nos fundos do Catetinho, até a Rodoferroviária. Seria um metrô de superfície, atendendo igualmente à Metropolitana, Núcleo Bandeirantes, Arniqueiras, Guará, Ceasa, Cidade dos Automóveis, Estrutural, além de alimentar o EPC.
Por Chico Sant’Anna
O mais velhos hão de se lembrar de um aparelho de som chamado 3 em 1: toca disco, gravador cassete e rádio. Brasília agora também poderá ter seu 3 em 1, só que na mobilidade urbana. Aguardando há décadas um trem de passageiros, ligando Luziânia ao Plano Piloto, a cidade poderá contar com três sistemas de transporte ferroviário em um: VLT, metrô de alta velocidade e metrô de superfície. Todos atuando em consonância entre si. O projeto está pronto, aguarda sinal verde do Ministério dos Transportes e ao mesclar os diferentes modais espera ser uma boa alternativa de deslocamento para cerca de 200 mil pessoas que vão e voltam todos os dias ao centro de Brasília.
O volume de pessoas que vão e voltam todos os dias do Entorno Sul ao centro da Capital foi aferido recentemente, nas imediações do Solarius – monumento apelidado de chifrudo que fica na entrada de Brasília. Uma moderna técnica contabilizou quantos sinais de celular passavam na ida e na volta naquele local. O quantitativo agrega aqueles que transitam de ônibus, mas também em carros particulares. No início do ano, o DER-DF estimou em cem mil carros provenientes do Entorno Sul.
O Expresso Planalto Central foi pensado para transportar 400 mil pessoas/dia, metade em cada um dos sentidos. Composição pode chegar a alcançar 160 km por gora.
Projetos
Como noticiamos em setembro de 2024, três diferentes projetos ferroviários com o Entorno Sul estavam nas pranchetas: uma proposta da Companhia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU, previa o uso de veículos leves sobre trilho (VLT), trafegando sobre a antiga ferrovia da RFFSA. A segunda, sob responsabilidade do Ministério dos Transportes, previa a instalação de trem regional de passageiros, ligando o Jardim Ingá, distrito do município de Luziânia, à antiga rodoferroviária, também pela estrada de ferro existente. A terceira proposta descartava a ferrovia. O Expresso Planalto Central, de autoria de um grupo econômico, prevê um metrô de velocidade elevada, capaz de interligar os 64 quilômetros que distam Luziânia do Noroeste em 38 minutos. Baseado no Réseau Express Métropolitain, existente no Canadá, a linha férrea seria nova, eletrificada e seguindo o mesmo eixo da BR-040 conectada a Via Epia.

Um ano depois de anunciado, estudo técnico da CBTU para implantar um VLT entre Luziânia e Brasília não avançaram, segundo a empresa, pelo fato de o GDF não ter assinado um convênio com os governos Federal e de Goiás. GDF diz que ainda faz estudo de viabilidade técnica.
O projeto da CBTU, que chegou a receber 23 milhões de emendas de parlamentares de Goiás, não avançou. O convênio já assinado pelo governo de Goiás descarrilou no Palácio do Buriti. A minuta previamente assinada pelos goianos foi encaminhada ao Gabinete do Governador do DF em março de 2024 e até hoje não foi assinada. Procurado, o GDF informou que “encontra-se em fase de estudo técnico preliminar e de viabilidade técnica para avaliar a participação no convênio”.
Quem andou, foi o projeto do Ministério dos Transportes. O estudo técnico foi contratado no ano passado, já está praticamente todo concluído e deve ser apresentado pelo Governo Federal nas primeiras semanas de agosto. Audiências públicas devem acontecer nas cidades goianas do Entorno. Ele se vale da antiga linha ferroviária, prevê oito estações entre o Jardim Ingá e a Rodoferroviária, com capacidade de transportar, dependendo do projeto técnico a ser aprovado, entre dois mil e quatro mil passageiros nos horários de pico – até 800 passageiros por viagem. A proposta está focada mais no transporte ponto a ponto. Em Goiás, além da estação inicial no Jardim Ingá, estão previstas apenas duas outras: Cidade Ocidental e Valparaíso. No DF, as principais estações seriam localizadas na intercessão com as grandes vias troncais: Estrutural, EPTG, EPNB e Epia-Sul – onde seria possível a integração com as redes de ônibus urbanos -, além de outra com o metrô, no Guará. Áreas internas de localidades como o Park Way, Núcleo Bandeirante, SIA, por onde a linha férrea já trafega, não contariam com estações. A duração da viagem inteira seria de cerca de 52 a 62 minutos.

O VLT Jardim Ingá-Valparaíso (Viva), com vinte quilômetros de extensão e dezenove estações, integraria as localidades da região e ao EPC.
3 em 1
A nova proposta do Expresso Planalto Central (EPC ) engloba parte das ideias da CBTU e do Ministério dos Transportes. Além do metrô de alta velocidade, trafegando pelo eixo rodoviário BR-40/Epia, duas linhas alimentadoras seriam criadas sobre a antiga ferrovia.
A primeira, o VLT Jardim Ingá-Valparaíso (Viva), com vinte quilômetros de extensão e dezenove estações, integraria as localidades da região e ao EPC.
Já a linha Monumental Park Way, (LMP), totalmente no DF, usaria a antiga ferrovia desde a quadra 29 do Park Way, nos fundos do Catetinho, até a Rodoferroviária. Funcionaria como um metrô de superfície, com dezesseis estações ao longo de 26 km. Seriam igualmente atendidos a Metropolitana, Núcleo Bandeirantes, Arniqueiras, Guará, Ceasa, Cidade dos Automóveis, Estrutural. A integração com o BRT-Sul e o EPC seria na Epia, na altura da Vila Cahui e com o metrô, no Terminal da Asa Sul.
A Linha Monumental-Park Way, (LMP), contaria com 16 estações, ao longo de 26 km, iniciando na quadra 29 do Park Way, nos fundos do Catetinho, até a Rodoferroviária. Seria um metrô de superfície, atendendo atravessando a Metropolitana, Núcleo Bandeirantes, Arniqueiras, Guará, Ceasa, Cidade dos Automóveis, Estrutural.
Aeroporto
O projeto do EPC ainda propõe chegar ao Aeroporto. “Mas é o aeroporto mesmo, o terminal, descer do trem dentro do aeroporto” – explica um dos técnicos que trabalharam no projeto. De lá, o trem do ECP mergulharia até a Rodoviária Interestadual, passando sob o Jardim Zoológico, integrando passageiros de avião e de ônibus. O trajeto retoma a Epia rumo Noroeste, próximo a Água Mineral, com uma parada na Rodoferroviária.
O trajeto proposto é 13 kms mais curto do que o itinerário da linha férrea e com a capacidade de alcançar 160 km por hora cobriria o trecho Luziânia-Noroeste em 29 minutos. O veículo é automatizado, não requer maquinista, e pode ser implantado tanto no canteiro central das rodovias, quanto na lateral. Um deslocamento entre o Noroeste e o Aeroporto JK não tomaria mais do que 10 minutos.
O valor da passagem não foi informado, nem se será um preço único, independente do tamanho do percurso percorrido pelo passageiro. Entretanto, o consórcio entende que não poderá ficar muito dispare do que atualmente é cobrado pelos ônibus, tendo em vista a necessidade de se atrair os passageiros. A passagem Luziânia Plano Piloto custa hoje R$ 12,05.
A proposta do consórcio EPC baseia-se na assunção da implantação do EPC pela iniciativa privada, sem custos para o Estado. A União arcaria com a adaptação da linha férrea para receber o Viva e o LMP. O custo do EPC está estimado entorno de R$ 5 bilhões. Os empreendedores pensam rentabilizar seus investimentos explorando imobiliariamente áreas localizadas ao longo do seu trajeto. Já identificaram um grande espaço em Valparaíso de Goiás, mas almejam áreas ainda inexploradas no Distrito Federal, tais como a Área Alfa, da Marinha e o antigo bairro do Catetinho, bem como o terreno atrás da rodoferroviária.
O projeto do Expresso Planalto Central prevê a implantação de “Polos de Desenvolvimento”, uma espécie de shopping com instalações para escritórios, consultórios, academias e outros estabelecimentos, nas principais estações, como a do Noroeste.
São locais que certamente enfrentarão grandes resistências sociais e até oficiais. A Marinha não cogita lotear seu espaço de treinamento e onde estão localizadas instalações de telecomunicações. O bairro do Catetinho, que no passado Joaquim Roriz propôs em transformar na Cidade da Saúde – um polo hospitalar -, é área de recarga hídrica e possui em seu interior o Parque Ecológico Luiz Cruls.
Já no caso do Pátio Ferroviário, é a própria Terracap que tem interesse em explorar economicamente o local. Além disso, as principais estações, como a do Noroeste, seriam acopladas a “Polos de Desenvolvimento”, uma espécie de shopping com instalações para escritórios, consultórios, academias e outros estabelecimentos.
Fonte:
https://chicosantanna.wordpress.com/2025/07/07/ferrovia-3-em-1-para-ligar-brasilia-ao-entorno-sul/